Possuir a TI (Tecnologia da Informação) adequada à logística é uma etapa crucial para alcançar eficiência na cadeia de suprimentos. No entanto, tomar a decisão de aplicar a TI na gestão de um armazém e transporte é apenas a primeira etapa.

Sabemos que uma implementação bem planejada, de acordo com as características do negócio, é tão importante quanto a escolha dos sistemas a serem incorporados. Um bom sistema, aplicado incorretamente, pode levar a resultados negativos, como custos inesperados e baixa produtividade. Conhecimento e planejamento são um dos fatores mais importantes.

Primeiramente, antes de falar de TI aplicada à Logística, vamos à definição da Logística. Uma das definições mais abrangentes é a de JG Vantine, em seu livro A Administração Estratégica da Logística, em coautoria com Douglas M. Lambert e James R. Stock: “Logística é parte integrante da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla de forma eficaz e eficiente o fluxo e armazenamento de bens, serviços e informação relacionada, desde o ponto de origem ao ponto de consumo de modo a atender os requerimentos dos clientes”.

Da mesma obra é possível retirarmos a definição de Supply Chain Management: “… é a integração dos processos comerciais críticos desde o usuário final até os fornecedores originais, que fornecem produtos, serviços e informação que adicionam valor aos clientes e outros parceiros.”

Exemplo da cadeia logística do porto a porta e destinação ambiental

Após as definições de logística e supply chain, passamos para a tecnologia, onde a etimologia da palavra que vem do grego deve ser separada em duas partes: “téchne”, que pode ser definida como arte ou ofício e “logia”, que significa o estudo de algo. Recorrendo ao dicionário Houaiss, temos a seguinte definição básica sobre o que é tecnologia: “1. Tratado das artes em geral. 2. Conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria. 3. Linguagem peculiar a um ramo determinado do conhecimento, teórico ou prático. 4. Aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral …”

O conceito do dicionário não deixa muito claro o que é a tecnologia. Assim, podemos dizer que a tecnologia é o uso de técnicas e do conhecimento adquirido para aperfeiçoar e/ou facilitar o trabalho com a arte, a resolução de um problema ou a execução de uma tarefa específica.

Dessa forma, ela pode ser aplicada em diversas tarefas diferentes – aparecendo em situações que poucas pessoas consideram envolver a tecnologia. O simples aproveitamento dos recursos naturais e a transformação do ambiente ao seu favor, por exemplo, é capaz de ser considerado como um movimento tecnológico.

Segundo Laudon e Laudon (2003), “Sistemas de informação são um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), processam, armazenam e distribuem informações destinadas a apoiar a tomada de decisões e o controle em uma organização.”

Já Tecnologia da Informação (ou simplesmente TI) é um conjunto de tecnologias utilizadas para o processamento e armazenamento de dados e comunicação entre pessoas e organizações. Com o uso de computadores, softwares, redes, Internet e o envolvimento de profissionais especializados, a TI tem como objetivo fazer com que essas atividades sejam elaboradas de forma cada vez mais rápida, inteligente e segura. Desta forma, Tecnologia da Informação abrange todas as atividades e soluções privadas por recursos computacionais. Tecnologia da Informação é uma área que usufrui da computação para trabalhar com as informações, no sentido de produzir, armazenar, transmitir ou usar.

Por fim, gosto muito de como o termo tecnologia é utilizado no livro O dilema da informação de Clayton M. Christensen, que define: “… é o conjunto de processos pelos quais uma organização transforma mão de obra, capital, materiais e informação em produtos e serviços de grande valor”.

Abaixo, um mapa mental que relaciona algumas (nem todas estão aí) tecnologias e sistemas aplicados à logística:

Entre os sistemas essenciais mais utilizados que auxiliam nos procedimentos realizados e na gestão do dia-a-dia, estão WMS, TSM e Plataforma Digital.

WMS (Warehouse Management System) em inglês, e Sistema de Gerenciamento de Armazém em tradução literal, é um software que ajuda a controlar e gerenciar as operações do dia-a-dia em um centro de distribuição. O software WMS orienta o recebimento e armazenamento do estoque, otimiza a coleta e o envio dos pedidos e orienta na reposição do estoque. No início, os sistemas de gerenciamento de estoque de armazém forneciam funções simples, principalmente informações de localização de armazenamento. Hoje, a amplitude da funcionalidade do WMS pode variar muito, desde as melhores práticas básicas de coleta, embalagem e funcionalidade de remessa até programas sofisticados que coordenam interações avançadas com manuseio de materiais, interação com dispositivos, sensores e robôs, além da integração com Inteligência Artificial.

Os bons sistemas devem se tornar um WMS Cognitivo. Um WMS que contemple a ciência da intralogística junto com inteligência artificial (Warehouse Science with AI) com as seguintes características: Orquestração de tarefas (perfis e métricas x tarefas inter-relacionais x prioridades), tarefas preditivas: armazenamento, reabastecimento e transferências; algoritmos avançados de menor caminho; sem ondas (waveless); integração com sensores IoT (Internet of Things); apto à Logística (Indústria) 4.0.

TMS (Transportation Management System) em inglês, e Sistema de Gerenciamento de Transporte em tradução literal, é um software que ajuda a controlar e gerenciar as operações do dia-a-dia em um transportador e/ou operador logístico integrado. Um TMS fornece visibilidade das operações de transporte do dia-a-dia, informações e documentação de conformidade comercial e garante a entrega oportuna de cargas e mercadorias. Os Sistemas de Gerenciamento de Transporte também agilizam o processo de envio e tornam mais fácil para as empresas gerenciar e otimizar suas operações de transporte, sejam elas terrestres, aéreas ou marítimas.

Um TMS ajuda a empresa a selecionar o modo ideal de envio e a melhor transportadora, com base no custo, eficiência e distância, incluindo a otimização de rotas de transportadoras com vários trechos. Os recursos dos sistemas TMS variam amplamente, mas podem incluir comunicação com transportadoras, documentação e rastreamento de remessas e assistência com faturamento e liquidação de frete. Algumas soluções avançadas de TMS também fornecem serviços de rastreamento, permitindo a troca de informações em tempo real entre transportadoras, distribuidores, depósitos e clientes. Elas geralmente incluem a capacidade de medir o desempenho com relatórios, painéis, análises e inteligência de transporte.

As principais características de um TMS são integração com empresas (B2B) e governo (e-Gov); custos de frete e modal; algoritmos avançados de menor rota integrado com sistema de gerenciamento de risco; apto à Logística (Indústria) 4.0.

Plataforma digital – Uma plataforma digital ajuda a organizar e disponibilizar todas as informações relacionadas ao processo logístico e transporte, transformando o monitoramento proativo da cadeia de suprimentos em um diferencial competitivo. Alguns benefícios de usar uma plataforma integrada de informações são: acompanhamento remoto e em tempo real do andamento de cada tarefa, seja no processo da intralogística, seja no processo de entrega; acompanhamento de informações de estoque de produtos, por lote, data de vencimento e data crítica; indicadores de desempenho do nível de serviço em tempo real; assinatura de confirmação de recebimento direto na tela do celular; foto de comprovação de entrega e/ou registro da ocorrência (POD proof of delivery); tracking and trace; tempo de descarga por entrega e/ou destinatário; assistentes digitais, frequentemente chamados de chatbots, que oferecem respostas imediatas e conversacionais às informações de remessa, levando a uma maior satisfação do cliente; integração com inteligência artificial.

Tendências

As crescentes inovações tecnológicas estão causando grandes ondas em todos os setores e a logística/ cadeia de suprimentos pode ser um dos setores mais afetados. Conhecidamente por seu uso intenso de processos manuais e grandes quantidades de dados armazenados de diferentes maneiras e em diferentes lugares, o setor de logística talvez seja o que mais ganhe com a implementação de novas tecnologias e com o acompanhamento das tendências mais inovadoras em tecnologia de Supply Chain e Logística.

Abaixo, seguem 10 tendências de tecnologia para logística que devem impactar os segmentos de logística, transporte e armazenagem:

5G – Conexões móveis de altas velocidades. Necessário para conectar todos os equipamentos.

IoT (Internet of Things) – Muitos dispositivos conectados à internet. Temperatura, umidade, etc.

3D Printers – Impressão 3D pode mudar muita coisa. Makers fazendo EPIs durante a pandemia. No futuro muita coisa pode mudar no setor de logística com estoques e transportes.

Goods To Person – Goods-To-Person Automated Guided Vehicle usados na separação de pedidos nas operações internas dos centros de distribuições.

IA (Inteligência Artificial) – Inteligência artificial pode automatizar (ações) processos de armazém e transporte.

Data Science – Produção de insights aliados ao machine learning para gerar previsões.

Cloud – Escalabilidade, agilidade e competitividade.

Wearables – Utilização de equipamentos vestíveis nos processos realizados nos centros de distribuição, acelerando as tarefas.

Blockchain – Solução para problemas de confiabilidade de informação e rastreabilidade.

Hoje, o papel da TI aplicada à Logística é decisivo. As empresas estão cada vez mais adotando sistemas avançados, como WMS, TMS e uma série de aplicativos satélites que, somados, criam um ecossistema poderoso de ferramentas e informações para a gestão da informação e da cadeia logística.

A cadeia de suprimentos está cada vez mais complexa com fornecimento internacional, cadeias de longa distância e um grande foco em resposta rápida e controle de custos. As habilidades de TI são cada vez mais um requisito para trabalhar com essas questões. Tudo depende do nível de integração logística, mas são sempre críticas para o seu sucesso, devido à necessidade de integrar sistemas diferentes. O desafio é bastante alto e o processo de TI, basicamente, ditará o resultado. Não há integração logística sem TI.

Claro que existem muitos outros fatores, como treinamento, bons procedimentos, suporte de gestão e, principalmente, pessoas. O capital intelectual é fundamental nesta transformação, mas inclusive esses elementos podem e devem ter seu papel potencializado pela TI.

O capital intelectual é a soma de tudo o que um indivíduo sabe. Em termos organizacionais, o maior patrimônio de uma organização são as pessoas, ou seja, são os conhecimentos que elas trazem em suas mentes. Este capital intelectual não é físico e não pode ser visto, mas está transformando rapidamente o mundo dos negócios. Isto significa que ter as pessoas certas e saber aplicá-las, mantê-las, é vital para as organizações de hoje e de amanhã.

A revolução tecnológica na logística é um caminho sem volta, cujo impacto vai além das áreas de tecnologia e telecomunicações. Esta é uma revolução global que molda a forma como as pessoas interagem com o mundo, da vida pessoal aos negócios. As demandas e exigências dos clientes aumentam, obrigando fornecedores a migrarem para um modelo digital de negócios. Sendo assim, a verdadeira Revolução 4.0 é uma revolução cultural e de modelo de negócios.

Novamente, a base desta quarta revolução é tecnológica, mas mais do que tecnologia, é preciso mudança de modelo mental, de negócios e cultural.

Artigo de Gustavo Saraiva, CIO da Luft Logistics

 

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