A tecnologia de realidade virtual (RV) apareceu para o público no início dos anos 1990, quando os óculos de RV foram integrados a máquinas de fliperama, possibilitando que os usuários imergissem em imagens 3D estereoscópicas e se conectassem entre si em jogos multiplayer. Anos depois, a tecnologia foi popularizada pelos headsets comercializados para games, que os jogadores podiam usar para criar essas mesmas experiências imersivas nos consoles que tinham em casa.

Mal sabíamos que este era o humilde início do que hoje é um mercado de bilhões de dólares, que não só mudou o jeito de jogarmos, mas também de trabalharmos.

Atualmente, a RV vai além de sua origem nos jogos e não serve mais só para recreação. Ela tem um tremendo potencial para disruptar uma grande variedade de setores industriais.

De fato, a Goldman Sachs prevê que, até 2020, o consumo corporativo de realidade virtual ultrapassará o do consumidor final, tornando-se um mercado estimado em US$ 80 bilhões (combinado com a realidade aumentada) em 2025.

Seguem quatro setores em que a RV já está tendo efeitos significativos:

Design, prototipagem e colaboração

Desde as origens da arquitetura e do design moderno, a criação de maquetes físicas é uma parte importante da prototipagem de edifícios, infraestrutura e veículos em espaço tridimensional. Apesar de efetivo, esse método nem sempre possibilita que arquitetos, designers e urbanistas avancem no mesmo ritmo de sua imaginação.

Felizmente, a RV permite uma revisão mais eficiente e inclusiva do projeto, a prototipagem mais rápida e precisa, e a criação de apresentações mais envolventes para o cliente.

Um exemplo é a engenharia automotiva. Carros normalmente são projetados com desenhos digitais, que depois são desenvolvidos em modelos de argila em tamanho real. No entanto, construir um modelo desse tipo requer vários escultores e pode levar meses.

A RV permite um novo jeito de montar protótipos de automóveis, que faz com que os designers criem, visualizem e interajam com versões em tamanho real de qualquer um de seus modelos.

Com o ritmo acelerado da urbanização global fazendo as cidades ficarem mais congestionadas, as soluções de RV se tornarão cada vez mais vitais para que os designers e urbanistas construam centros urbanos mais inteligentes e eficientes. Por exemplo, a RV foi usada para modelagem e visualização urbana na Cidade do México e em Santiago do Chile.

Treinamento militar

Nas forças armadas, um treinamento adequado pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Porém, treinar soldados para que estejam preparados para o combate ou outras situações perigosas pode, por si só, já representar um perigo. Como os líderes militares podem oferecer um treinamento autêntico de forma a prepararem suas equipes sem colocá-las em risco?

A realidade virtual dá uma solução. Ela garante um treinamento que vai além da teoria em um ambiente controlado, mas realista, tornando-o mais eficaz, seguro e eficiente em termos de custo.

Por exemplo, designers podem criar simulações complexas para mostrar como tecnologias de defesa e aeroespaciais seriam empregadas. Isso pode abranger desde exercícios de missões de rotina até a visualização de como é um caça em voo.

Simulações de voo são um ambiente seguro para ajudar os pilotos em treinamento a se manterem calmos em situações de estresse, permitem que os superiores avaliem reações mais realistas e garantem uma retenção maior de informações. O Exército brasileiro também usou RV para formar e treinar equipes de artilharia.

Entretenimento imersivo

Ainda hoje, a RV continua expandindo nossa definição do que significa diversão.

Voltando à suas origens recreativas, a RV tem o potencial de continuar transformando a indústria de entretenimento de jeitos novos e empolgantes. Por exemplo, a DreamWorks Animation criou uma viagem em realidade virtual para fãs do filme Como Treinar seu Dragão.

Na simulação, os usuários podem pegar as rédeas do dragão Banguela, sobrevoar a ilha imaginária de Berk e experimentar emocionantes sensações físicas durante um voo desenfreado com a criatura imaginária.

Do ponto de vista cultural, a realidade virtual também está entrando em museus de todo o mundo. Apenas alguns meses depois de um grande incêndio ter devastado o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, destruindo cerca de 20 milhões de artefatos, o Google reabriu as portas da instituição – virtualmente. O Google e o museu haviam começado a digitalizar o acervo meses antes do incêndio, segundo o Engadget.

Setor de saúde 

Imagine uma estudante de medicina tentando acompanhar uma cirurgia por cima dos ombros do médico para aprender sobre o coração humano e o que é necessário fazer para tratá-lo. Agora, imagine a mesma estudante se paramentando e de fato operando sozinha – sem riscos para o paciente.

Bom, não é necessário imaginar – isso é exatamente o que a realidade virtual está possibilitando. Por exemplo, a Microsoft informa que a brasileira Digital Pages, empresa de gerenciamento do ciclo de vida de conteúdos digitais, desenvolveu uma aplicação interativa para planejamento cirúrgico usando seu headset de RVHoloLens.

A aplicação dá a estudantes, cirurgiões e profissionais de saúde novas perspectivas para modelagem e manipulação de objetos físicos e virtuais em 3D, segundo a Microsoft.

A promessa da realidade virtual faz dela uma poderosa tecnologia a ser adotada por uma ampla gama de setores. O aumento na flexibilidade e no alcance, a melhoria nos treinamentos, a redução de custos e as experiências mais realistas estão gerando novas oportunidades e levando à adoção da RV no mercado empresarial. A realidade virtual não é mais uma simples curiosidade e pode chegar a sua indústria em breve.

Artigo de Claudio Raupp, presidente da HP

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