Uma das primeiras imagens que vem à mente com a palavra “robotização” é a de máquinas assumindo todos os lugares da mão de obra humana, em uma realidade bastante futurista e próxima da ficção. Questões como “qual será o papel dos trabalhadores nesse novo cenário?” aliadas às projeções da falta de empregos nos próximos anos traçam um cenário alarmante e podem causar repulsa à adoção das novas tecnologias no ambiente de trabalho.

A realidade, contudo, promete ser bem mais branda do que aparenta. Hoje, os cobots (robôs colaborativos) representam a principal ajuda aos colaboradores e gestores nos próximos anos, sem eliminar o papel humano dentro das empresas.

Alguns estudos estimam que, para cada robô colaborativo que une a indústria, três novos empregos ligados a ele serão gerados. Não se pode ignorar o fato de que nem todos poderão optar por esses novos empregos.

No entanto, é inegável que a robotização abrirá uma infinidade de oportunidades para milhões de colaboradores, livres de tarefas repetitivas, motivando-os a adquirir novos conhecimentos, desafios intelectuais e aprendizagem.

À primeira vista, essa coexistência entre robôs e humanos não deve ser percebida como algo natural: as barreiras culturais são um desafio a ser superado, especialmente porque a automação é frequentemente vista como algo “emergencial”, usado em altos picos de trabalho.

Mas a implantação progressiva de tecnologia em diferentes áreas, como uma ajuda permanente, deve levar a uma profunda transformação do mercado de trabalho, exigindo cada vez mais habilidades sociais – que as máquinas estão longe de dominar.

Mas, em longo prazo, não há dúvidas de que a robotização levará a ambientes de trabalho formados por um híbrido entre trabalhadores humanos e digitais (chamados digiworkers). Ou, mais especificamente, os colaboradores devem aprimorar suas capacidades graças à contribuição de robôs colaborativos, com pontos de coexistência total entre pessoas e software.

Os ganhos em produtividade são o principal motor dessa mudança. A partir do uso cada vez maior de robôs colaborativos, é possível obter ganhos significativos em produtividade, evitando o desperdício de talentos humanos e redistribuindo cargas de trabalho.

Colaboradores podem ganhar mais tempo para tarefas estratégicas, além de recuperar ideias e projetos deixados de lado. Além disso, as ferramentas ajudam o ser humano a enfrentar desafios, fornecendo o suporte necessário para que a capacidade humana alcance os maiores e melhores objetivos para as empresas.

Apesar de toda a discussão que o tema traz, é preciso ter em mente que não é a robotização em si que gera impacto social ou desemprego, mas o plano estratégico de cada empresa.

No Brasil, é possível encontrar casos de empresas líderes em seu setor de atividade que implementou extensos programas de robotização, mas não demitiram nenhum de seus trabalhadores, transferidos para novas funções.

Para ter sucesso, é fundamental que as empresas ofereçam aos colaboradores ferramentas e opções que lhes permitam sentir-se valorizados, além de assumir a responsabilidade com o desenvolvimento profissional deles ao longo do tempo.

A transformação deve atingir todos os níveis da estrutura organizacional e novas equipes multifuncionais e cada vez mais ágeis devem estar presentes em todos os setores.

Na economia atual, é difícil prever as múltiplas demandas e necessidades dos consumidores e, mais do que isso, é um desafio manter os níveis de produtividade em meio à incerteza que paira sobre organizações de diferentes setores.

Portanto, é necessário investir na certeza que a inovação tecnológica representa: a automação da inteligência ajuda as empresas a enfrentar novos desafios e otimiza a contribuição de valor dos trabalhadores.

O trabalho híbrido entre humanos e robôs já deixou de ser um elemento supérfluo para se tornar o elemento chave de um ambiente de trabalho eficiente, dinâmico e flexível. Estar preparado desde já é sinônimo de garantir a sobrevivência no futuro.

Artigo de Laércio Lamarca, Gerente de Operações da Minsait no Brasil

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