Durante o 12° Dia da Engenharia Brasil-Alemanha realizado em outubro do ano passado, o professor do Departamento de Engenharia Industrial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Alejandro Frank, tratou sobre o Trabalho 4.0 e, consequentemente, os impactos da Indústria 4.0 para o mercado de trabalho no Brasil.

Em sua apresentação, Frank apontou que muitas empresas têm visto o modelo de maturidade da Indústria 4.0, da acatech, como um processo de avanço da transformação digital, através de uma automação avançada muito importante em termos de maturidade industrial.

“De fato isso realmente acontece, porém, muitas vezes, tem-se interpretado essa transformação digital como um embate entre a automação e o trabalhador; como uma inimiga ou uma ameaça para o futuro do trabalho ao redor do mundo e no Brasil”, ressaltou o professor, já apontando que essa é uma visão equivocada sobre o modelo de maturidade, que também considera as áreas estruturais para o avanço da transformação digital.

O ser humano está envolvido nas quatros áreas do modelo de maturidade da Indústria 4.0, ou seja, Recursos (humanos, equipamentos e materiais), Sistemas da Informação (dados para processos e tomada de decisão), Cultura (comportamento dos colaboradores) e Estrutura Organizacional (estrutura interna, processos operacionais e posição na cadeia de valor).

Assim, embora muitas vezes a Indústria 4.0 tenha sido colocada como um conflito entre a tecnologia e os trabalhadores, na verdade, em seu centro ela engloba justamente o trabalhador, com um novo perfil, uma nova forma de se qualificar e novas atividades dentro da fábrica. “Ele segue sendo um papel importante, já que está presente desde a origem do conceito de Indústria 4.0”, ressaltou Frank, introduzindo os cinco smarts da Indústria 4.0.

Primeiro, a smart manufacturing está no centro, como o coração da Indústria 4.0, conectada à cadeia de suprimentos que é o segundo conceito, ao terceiro elemento, que são os produtos inteligentes, a uma abordagem de consumo inteligente dos recursos energéticos e materiais, quarto item, e, por último, smart working – visão do trabalho inteligente planejado para se conectar com essa nova visão da fábrica, ou seja, com um trabalhador que irá utilizar essas tecnologias para executar os trabalhos de uma maneira muito mais complexa, avançada e que agrega mais valor aos processos de trabalho.

De acordo com Alejandro Frank, o perfil do trabalhador 4.0 engloba características como novas capacidades de esforço físico, visão aumentada dentro dos processos, trabalhos mais virtualizados, capacidade de controle de parâmetros de saúde, trabalho inteligente baseado em tomada de decisão, capacidade analítica, e conexão dentro da planta.

“Então, o que temos, de fato, é uma mudança do perfil do trabalhador e de suas atividades. Não se trata de substituição do trabalhador. Se trata da substituição de atividades e maneiras de trabalho dentro da fábrica; mas o trabalhador segue sendo uma peça importante. E isso já é realidade em muitas empresas, inclusive no Brasil”, explicou o professor Frank, ressaltando que a importância de focar esforços no trabalhador se dá devido à flexibilidade operacional.

Pesquisadores indicam que nos próximos cinco anos haverá um gap de requalificação muito grande no país, com a necessidade de qualificar em torno de 10,5 milhões de trabalhadores dentro da indústria brasileira.

Nesse contexto, um estudo com a Agência de Cooperação Alemã e o Ministério da Educação (MEC) apontou que as principais profissões emergentes são os operadores digitais, que sabem utilizar informações e dados da planta e operar processos digitais, e os experts digitais, com uma visão sistêmica da função da planta, também a partir de uma visão de implementação de tecnologia.

Ao finalizar a sua apresentação no 12º Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, Alejandro Frank deu algumas dicas aos participantes: “As empresas precisam avaliar e entender que tipo de processos a fábrica precisa de deskilling (simplificação do que o trabalhador faz a partir de automação), reskilling (trabalhadores requalificados) e upskilling (requalificação com uma competência digital muito mais elevada)”, afirmou.

“Se puder, treine, pois o mercado não conseguirá formar a demanda necessária para a transformação digital. As empresas precisam pensar em modelos de preparação interna da sua força de trabalho”, disse ainda o pesquisador, para em seguida finalizar: “Desenvolva uma gestão de adoção de tecnologia com a participação dos funcionários, ou seja, com um projeto sócio-técnico de implementação de tecnologias”.

Confira o vídeo da apresentação na íntegra aqui!

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