As energias renováveis estão cada vez mais competitivas no Brasil. A geração eólica tem registrado sucessivos recordes. O último Boletim Mensal de Dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), referente a julho, mostra que os ventos responderam por 13% do abastecimento total da rede interligada no dia 25 daquele mês. No primeiro semestre de 2018, o índice foi de 6,5%, o que representou um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para o líder do projeto de energias renováveis da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Jorge Boeira, os números revelam a competitividade obtida pela energia eólica em pouco tempo.

“Isso mostra o sucesso de uma política de nacionalização implementada desde os primeiros parques e leilões. Hoje a energia eólica tem obtido preços competitivos. Além disso, a indústria brasileira foi capaz de criar um ambiente para atender, inclusive, aos requisitos de financiamento do BNDES”, explica Boeira.

Em setembro, o Sistema Nacional Integrado registrou sucessivos recordes no Nordeste. No dia 13 deste mês, 75% da demanda foi atendida pela energia eólica, que teve uma máxima às 8h24, com 83% de atendimento da demanda. A região tem um dos melhores ventos do mundo para a produção de energia, com uma produtividade que é cerca do dobro da média mundial.

Há um período, entre junho e novembro, que a produtividade é ainda maior.

“Na média, o fator de capacidade mundial está em torno de 25% e, na época da ‘safra dos ventos’, o fator de capacidade médio mensal pode ultrapassar os 60% no Nordeste ou até mais de 70% como no caso destes recordes. Estes dados e mais o crescimento da capacidade instalada de energia eólica explicam os recordes frequentes que costumamos ver nesta época do ano”, explica Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O Brasil tem hoje mais de 13,4 GW de capacidade instalada, em mais de 535 parques e mais de 6.600 aerogeradores em operações. O estado que mais produz energia eólica e com maior capacidade instalada é o Rio Grande do Norte, seguido pela Bahia. Com este potencial, o próximo desafio do setor, segundo Jorge Boeira, é construir aerogeradores com mais potência.

“A indústria brasileira tem feito um movimento para construir aerogeradores com mais potência, acima de cinco megawatts por unidade. Isso significa que no futuro teremos maior densidade de energia por área e que a indústria de partes e componentes tem que se reconfigurar para atender a estes novos requisitos de potência”, projeta o líder de energias renováveis da ABDI. “A grande questão que contribui para o desenvolvimento desta indústria são os leilões e o financiamento do BNDES. Será preciso ver no futuro se estas condições vão se manter, porque este é um modelo de sucesso”, conclui Boeira.

Fonte: ABDI

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