Mundo 4.0? O que é isso? Em um misto de estranheza e curiosidade, eram as perguntas que me faziam no começo do ano de 2019 ao abordar as maravilhas do avanço tecnológico que está mudando o modo de viver, de se comunicar e de produzir.

A grande maioria das pessoas não se davam conta do que estava acontecendo, mesmo que já estivessem usando os recursos das novas tecnologias. Este desconhecimento se dava de forma generalizada, mesmo entre empresários, executivos e profissionais de todas áreas, tanto que fui convidado pelo recém-eleito Superintendente Distrital da Associação Comercial da Zona Oeste, Mario Martinelli, a promover debates e palestras sobre o tema ao longo do ano, elegendo o tema como um dos focos de sua administração.

No primeiro semestre do ano, estava escrevendo um livro que abordava a II Revolução Industrial, a mais impactante de todas pois criou os mais variados instrumentos que o mundo todo utiliza a partir do uso da eletricidade, portanto do elétron, caracterizando o mundo moderno.

As duas revoluções que a sucederam sofisticaram e aprimoraram as criações inventadas na primeira metade do século XX. Assim, desenvolveu-se o computador e a informática, na III Revolução Industrial, e concebeu-se a Inteligência Artificial (IA) e a Internet das Coisas (IoT) que marcam a IV Revolução Industrial. Mundo 4.0 foi um termo moderno cunhado pelo governo alemão em 2011 para se referir à Quarta Revolução Industrial.

Elaborando meu livro, dei-me conta da importância fundamental do elétron como condutor da energia que move o Universo, que torna possível nosso mundo moderno e a nossa própria vida.

Por outro lado, pude observar o desconhecimento generalizado das transformações que as novas tecnologias estão proporcionando. Liguei os pontos e tracei um panorama desde a origem do átomo e da energia conduzida pelo elétron, passando pela criação da vida, a organização humana em sociedade, o modo de viver e produzir, o impacto das transformações aceleradas proporcionadas pelas revoluções industriais até o advento desse maravilhoso mundo moderno. Batizei meu livro de “ELÉTRON, DO BIG BANG AO MUNDO 4.0”.

Nos meus debates e palestras sobre o tema, notei que a maior parte das pessoas não se davam conta que já estávamos usando as novas tecnologias e a mais visível e palpável é o smartphone, que aplica a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas.

Ao enviarmos uma mensagem pelo nosso celular, ficamos sabendo instantaneamente que ela saiu de nosso aparelho, marcada com um tique cinza, e foi recebida pelo aparelho do destinatário, apontando um outro tique cinza, sendo que, ao ser lida pelo nosso interlocutor, os dois tiques ficam azuis. Tanto as transmissões como os indicadores são feitos sem a interferência humana, realizadas pela inteligência dos aparelhos e a comunicação entre eles.

No ambiente desse fabuloso mundo de automação, a grande preocupação é com a eliminação da mão humana. Isso acontece em todos os setores da economia e da vida humana.

As máquinas programadas para realizar as tarefas também são arquitetadas para pensar por si, dispensando a intervenção humana mesmo para ligar e desligar, tarefa executada pelo timer instalado na programação. Ah!… precisa-se do ser humano para fazer a programação.

Bem, no futuro, a IA desenvolverá por si o software. Ah!… precisa-se do ser humano para montar as máquinas. Já temos robôs executando essas tarefas. Ah!… as peças, as matérias primas, os produtos finais precisam ser transportados. Em breve, teremos caminhões circulando sem motoristas e robôs carregarão e descarregarão as cargas.

É muito perceptível esse quadro nas automações bancárias: não precisamos mais ir ao banco, pois todas as operações bancárias podem ser feitas pelo smartphone. Um grande banco anunciou orgulhosamente, em meados da década de 1990, publicando em duas páginas de jornal, ter chegado a 150.000 funcionários. Hoje, esse mesmo banco tem metade desse número movimentando muitas vezes mais o volume de negócios de então.

Já está muito claro que o mundo caminha em passos acelerados para a automação, deixando a maior parte das atividades nas mãos das máquinas. Muitas funções desaparecerão, muitos empregos para o ser humano serão eliminados.

É um quadro sombrio? Sim, é. Mas vamos lembrar, e eu relato enfaticamente no meu livro “ELÈTRON”, que todas as mudanças das atividades humanas ao longo de sua existência, principalmente nas Revoluções Industriais, resultaram em perdas de funções. Porém, graças a inventividade e criatividade humanas, outras foram criadas.

Por exemplo, hoje já não se tem, nas empresas, office-boys, profissão que exerci há décadas atrás. Quase não se vai às agências bancárias, aos correios, aos escritórios, tudo é feito eletronicamente. E o que faz a rapaziada que seriam office-boys? Estão trabalhando em aplicativos de motoboys, entregadores de pizza, de compra de supermercado, no Uber, no Taxi99…

Nos últimos meses do ano passado, a discussão sobre o Mundo 4.0 acentuou-se nas mídias televisivas, radiofônicas, impressas e nas redes sociais, mas ainda se precisa de muito mais para que todos compreendam e entendam o que significam essas transformações que vão tomando corpo e suas consequências.

Em 2020, com certeza, esse debate será mais enfatizado para que todos possam ser esclarecidos sobre o que virá. Mas que as discussões sejam direcionadas mais para as oportunidades que serão desenvolvidas e que empregos e funções vão ganhar relevância ou vão surgir.

Ler sobre o passado é importante para entender tudo que o homem criou para se adaptar às novas circunstâncias. Esta visão das realizações e do comportamento dos nossos antepassados é muito importante para que enfrentemos com otimismo o novo cenário. Quem tiver essa compreensão se adaptará ou guiará seus filhos para as grandes oportunidades que o Mundo 4.0 criará.

Artigo de Virgílio Pedro Rigonatti, escritor paulistano, autor de vários livros

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