Documento apresentado no evento CNI Sustentabilidade traz ainda série de boas práticas empresariais do setor para conservação do meio ambiente. Confira na 3ª reportagem da série especial Indústria Sustentável

Responsável por 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o setor de mineração investe em práticas sustentáveis. O destaque é o reuso de 85% da água nos processos produtivos, segundo o estudo Mineração e Economia Verde, produzido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e lançado no evento CNI Sustentabilidade, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em outubro do ano passado. Outro avanço é o trabalho de redução de resíduos gerados por meio do conhecimento geológico detalhado do território a ser explorado.

A gerente de Assuntos Ambientais do Ibram, Claudia Salles, explica que o mapeamento da área em uma escala compatível para pesquisa mineral é fundamental. “Com isso, são elaborados projetos mais eficientes em termos de aproveitamento dos minérios extraídos e, por consequência, com menor geração de resíduos”, diz.

Na publicação, há práticas que garantem a disposição adequada e segura dos rejeitos gerados pelo setor de mineração. Segundo Cláudia, o Ibram busca fomentar a sustentabilidade no setor por meio de parcerias e estudos que estabelecem um novo tipo de relação de mineradoras e territórios em que a atividade está inserida. “Entendemos o papel da mineração como atividade transformadora dos padrões de vida da sociedade. Com esse documento, buscamos difundir boas práticas adotadas pelas mineradoras para toda sociedade brasileira”, ressalta.

Conheça algumas práticas bem-sucedidas na indústria de mineração, que emprega cerca 185 mil trabalhadores e representa 11,6% das exportações brasileiras:

MUDANÇA DO CLIMA  –  Desde 2011, o Ibram mapeia emissões de gases de efeito estufa no setor mineral, que teve como ano base 2008. A primeira etapa do trabalho ocorreu com a realização do primeiro inventário de gases de efeito estufa do setor mineral. Em 2012, a instituição assumiu novamente a condução do processo de desenvolvimento de um novo inventário, que teve como ano base 2011.

O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa é o procedimento consagrado para identificação das fontes e o cálculo das emissões desses tipos de gases em nível mundial, nacional ou individual. Claudia Salles destaca  a importância dos Inventários para o controle ambiental. “Com as metas estabelecidas na Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC), torna-se necessário conhecer, monitorar e verificar as emissões por setor da atividade econômica”. Além disso, busca analisar comparativamente os levantamentos das emissões de Gases do Efeito Estufa apresentando, assim, o comportamento do segmento com relação a essas emissões.

ÁGUA – As mineradoras interagem com recursos hídricos superficiais e subterrâneos, seja pelo uso nos processos produtivos ou por estarem localizadas nas regiões de nascentes e recarga hídrica. O uso da água ocorre no processo de lavra e se estende para as atividades de beneficiamento e transporte dos minérios, como também ao encerramento da mina.

O contexto hidrológico no qual se localizam os veios é importante para determinar a eficiência e a viabilidade técnica e econômica de uma lavra. A boa gestão hídrica é um elemento de competitividade porque o insumo é essencial para as operações e porque os custos – infraestrutura, acesso, despoluição, etc – são significativos. Por isso, as mineradoras fazem planejamento da gestão hídrica, desde a fase de pesquisa até o pós-fechamento, com ferramentas apropriadas, desenhando e implantando as medidas preventivas e corretivas mais  adequadas.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Em 2014, o Ibram, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o governo brasileiro, promoveu o primeiro diálogo global sobre indústrias extrativas e a então proposta da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os ODS. Como resultado, houve mapeamento de impactos relacionados com a indústria da mineração em relação aos ODS.

A partir daí, foi elaborado o estudo Atlas: Mineração e ODS, baseado em pesquisas ocorridas em áreas de trabalho e entrevistas com mais de 60 especialistas globais da indústria, sociedade civil, governos, universidades, organizações internacionais e instituições financeiras. O documento mapeia a relação entre a mineração e os ODS, utilizando exemplos de boas práticas existentes na indústria e os conhecimentos e recursos relativos ao desenvolvimento sustentável que, se forem replicados ou ampliados, poderiam prover contribuições úteis para o atingimento dos ODS.

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