Reconhecida mundialmente por sua relevância na cena de arte urbana, São Paulo recebe a primeira edição do Fest.AR – Graffitis Apagados de São Paulo, que conta com a participação de obras de artistas das diferentes linguagens da arte urbana que marcaram a vida cultural da cidade nas últimas quatro décadas.

“Um celular na mão, uma nova perspectiva em arte” é a proposta do festival que ocorre até 28 de dezembro em um circuito virtual que, para ser experienciado, precisa ser realizado em uma caminhada pelas ruas da capital paulista. Para vivenciar o Fest.AR, o interessado precisa baixar gratuitamente o aplicativo em seu celular.

O Fest.AR é um evento icônico por promover o resgate do patrimônio histórico cultural de São Paulo a partir da refação virtual de obras efêmeras como graffiti, lambe-lambe, letras, bombing, serigrafia e estêncil, em pontos da Avenida Paulista, Rua da Consolação e Centro, que foram apagadas pelo tempo e pelo movimento natural desta grande cidade.

O aplicativo indicará os locais dos antigos grafittis através de geolocalização. Ao direcionar seu celular para o local indicado, será possível visualizar a obra que um dia esteve naquele local, fotografá-la e filmá-la, inclusive, consigo no cenário, como se fosse realidade atual, proporcionando um encontro dos tempos.

Obra Judeu e Muçulmano, de 2016, de Bueno Caos | Crédito Luis Bueno

Idealizado pela artista multimídia Giovanna Graziosi Casimiro, pesquisadora em memória digital e patrimônio contemporâneo, especialista em experiências com múltiplas plataformas e indústria de XR, o festival traz ainda curadoria da produtora cultural Vera Santana, co-curadoria da artista Prila Maria e realização da MOVA.

“O Fest.AR é um encontro intergeracional da arte urbana paulistana, que traz a possibilidade mágica da obra de Jaime Prades, realizada em 1987, estar presente no mesmo tempo em que são apresentadas as letras politizadas da OPS (Vismoart) feitas em 2018”, comenta Vera Santana.

Também compõem essa linha do tempo cultural as obras geométricas de 6emeia, os lambe-lambe marcantes de Bueno Caos, o “veracidade” de Mauro Neri, o graffiti de Nina Pandolfo (uma das primeiras mulheres a ter reconhecimento na cena urbana), a empena vibrante de Nove, a Escrita de Rua de Loba Gi, o graffiti de Rui Amaral, a serigrafia de SHN, a pintura de Subtu, as letras de Sujeitas e o graffiti de Tinho.

“O processo curatorial buscou valorização e a reunião das diferentes linguagens da arte urbana de São Paulo, que consistem em um patrimônio histórico do município, promovendo um diálogo da cultura com a população e a própria cidade, de uma maneira diferente do que já foi feito até agora, respeitando e integrando todas as linguagens da rua”, continua Vera Santana, que também coordenou o trabalho de pesquisa histórica e imagética que norteou a linha curatorial do festival.

Festival de realidade aumentada da América Latina acontece em São Paulo
Na imagem acima, o artista Jaime Prades posa ao lado da obra Grande Transformação, de 1987 (na passagem Paulista/Rebouças, lado direito, trecho central), e o local como está atualmente. Com o aplicativo do Fest.AR, será possível ver a obra em tamanho original, por meio de realidade aumentada.

Para Giovanna Graziosi Casimiro, idealizadora do Fest.AR, “o festival traz uma reflexão muito importante sobre a preservação do patrimônio histórico da nossa contemporaneidade, incluindo a efemeridade da arte urbana como marco da característica cultural de São Paulo. Tanto o estudo quanto o resgate da memória só puderam ser realizados trazendo a tecnologia como aliada neste trabalho”.

Além das vivência nas ruas, o Fest.AR promove oficinas virtuais gratuitas que podem ser feitas por pessoas do Brasil inteiro. Nelas, os participantes têm contato com as questões teóricas da realidade aumentada, e em um segundo momento, vão poder criar suas próprias artes com uso desta técnica.

O projeto promoveu, no dia da abertura, 28/11, dois encontros virtuais: às 16h, Giovanna Casimiro bateu um papo com Sam Magee, especialista em tecnologias HILT (Human Intelligence and Language), quando discutiram os usos de tecnologia como possibilidades de novas experiências urbanas, patrimoniais, ou memoriais, repensando até mesmo as narrativas históricas. Em seguida, Vera Santana se reuniu com artistas participantes do festival em uma roda de conversa sobre a potência da arte na construção da memória afetiva, da paisagem urbana e do processo histórico das cidades, além de temas como direito à cidade, ocupação do espaço urbano e realidade aumentada.

As oficinas ministradas por Giovanna Graziosi Casimiro têm início no dia 5/12, com conteúdo teórico e atividades práticas sobre realidade aumentada como instrumento de ocupação urbana. As obras desenvolvidas pelos participantes vão compor a Galeria Fest.AR 2020/21, que poderá ser acessada pelo site e redes sociais do festival a partir do dia 19/12.

As inscrições para os encontros e oficinas devem ser feitas pelo site https://www.festar.art.br

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