Na obra Cibercultura, Pierre Lévy (1956), grande pesquisador em ciência da informação e da comunicação e estudioso do impacto da Internet na sociedade afirma que, no contexto filosófico, é virtual “aquilo que existe apenas em potência e não em ato […]. O virtual encontra-se antes da concretização efetiva ou formal”.

O autor destaca ainda que é virtual “toda entidade desterritorializada” apta a gerar múltiplas manifestações concretas. Essa definição, ainda segundo o autor, contraria o uso corrente do conceito “virtual”, muitas vezes, utilizado para caracterizar a irrealidade, enquanto a realidade significa algo tangível.

E, se formos analisar as novas tecnologias envolvendo realidade virtual e aumentada, tal uso corrente é, ainda, mais contrariado, afinal, nunca o virtual esteve tão presente no real, simultaneamente, como nos últimos anos.

Ciente disso, o empresário Fabio Costa teve visão, antes mesmo do boom dessas novas tecnologias, ao criar, em 2012, a Agência Casa Mais, em São Paulo, pioneira na produção de vídeos de realidade virtual no Brasil.

“Essas e outras tecnologias inovadoras são nossa matéria-prima para a criação de experiências imersivas através de diferentes plataformas”, ressalta Costa, CEO da empresa. Neste ano de 2019, a empresa também resolveu apostar numa tecnologia que está ocupando, cada vez mais, o mercado mundial: a realidade aumentada

Mas, afinal, o que é realidade virtual e aumentada? Fábio Costa explica: “A realidade virtual é uma tecnologia de interface capaz de enganar os sentidos de um usuário por meio de um ambiente virtual, criado a partir de um sistema computacional. Ao induzir efeitos visuais, sonoros e até táteis, a realidade virtual permite a imersão completa em um ambiente simulado, com ou sem interação do usuário”.

Trata-se de uma realidade que pode ser aplicada nas mais diversas áreas. Assim atua a Agência Casa Mais, que acabou se tornando referência em realidade virtual e já realizou mais de 100 trabalhos, aplicando a tecnologia em segmentos como o esportivo, industrial, cultural, aéreo, jornalístico, financeiro, farmacêutico, imobiliário, automotivo, entre outros.

Já a realidade aumentada, segundo Fábio Costa, diferente da realidade virtual, cria um ambiente totalmente artificial, incluindo novas informações digitais no espaço real. Um exemplo dessa tecnologia é o famoso aplicativo Pokémon Go, que se tornou uma febre mundial quando foi lançado e permitiu aos usuários capturar pokémonsenquanto andam pelas ruas.

“Podemos dizer que a Realidade Virtual seria como entrar em um mundo dos sonhos. Por sua vez, a Realidade Aumentada permite incluir dentro da realidade objetos do mundo dos sonhos”, diz o empresário.

E são diversas as experiências já proporcionadas, a Agência possui vários cases de sucesso. “Um dos seus destaques é o oferecimento de treinamentos corporativos que imergem o colaborador num vídeo em 360 graus, onde ele participará de algumas atividades lúdicas e interativas, respondendo perguntas ‘quiz’ propostas pelos seus avaliadores. No final, é gerado um relatório com as estatísticas de desempenho de cada pessoa. Tal prática permite a equipe de Recursos Humanos avaliar as principais carências dos seus profissionais.” As empresas Sanofi, Itaú Personallitée a rede hoteleira Accor são algumas que já utilizaram tal recurso.

Além de proporcionar essas duas experiências aos seus clientes, a Casa Mais também foi pioneira ao mesclar essas duas realidades: virtual e aumentada. A junção dessas duas tecnologias resultou em experiências únicas, como foi o caso da empresa Essilor, multinacional do ramo óptico responsável por marcas como Varilux e aTransitions, que buscou a Agência Casa Mais para o lançamento de novas lentes no Brasil.

“Com a união das duas realidades, criamos um game 3D de Mix Reality que permitiu as pessoas enxergarem neste mundo virtual da mesma maneira que as pessoas que usam lentes multifocais convencionais, fazendo, posteriormente, o comparativo com a visão com os benefícios gerados pelas novas lentes”, ressalta Costa.

Ainda segundo o CEO, com o investimento em realidade aumentada, a expectativa é que a empresa cresça ainda mais. “No ano passado, apesar da crise econômica, tivemos um faturamento superior a 250%, atingindo um valor bruto anual de mais de 1 milhão de reais”.

O empresário, que teve visão ao se lançar em algo inovador no mercado, conclui dando algumas dicas para quem também deseja empreender, especialmente em tempos de desemprego em alta:

“É preciso ter muita perseverança, garra e acreditar muito na sua intuição para a realização do seu sonho. É preciso pensar sempre em um diferencial para o seu negócio diante dos seus concorrentes e planejar a longo prazo. Altos e baixos são normais, a diferença é saber como lidar com a queda e superar isso de forma positiva”, finaliza Costa.

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