Dezenas de turbinas eólicas de 80 metros de altura giram ao sabor do vento nas planícies de Oklahoma, nos EUA, gerando eletricidade para um centro de dados do Google localizado a 290 quilômetros dali.

Em todo o mundo, centros de dados como o do Condado de Mayes, nos arredores de Tulsa, processam quase 32 quintilhões de bytes de informação por dia, segundo o Cisco Global Cloud Index. O volume é equivalente ao streaming de 32 bilhões de horas de Netflix e coloca as grandes empresas de tecnologia entre os consumidores cujo uso de energia cresce mais rapidamente.

Além disso, cria um dilema para empresas como Facebook e Alphabet, a proprietária do Google, cujas montanhas de dados as transformam em consumidoras de energia mais destacadas em um momento em que os investidores estão ampliando o escrutínio sobre a gestão ambiental. A resposta delas é fechar cada vez mais contratos de longo prazo por eletricidade verde, dando mais impulso ao distanciamento dos combustíveis fósseis.

“Gastamos muito tempo buscando energias renováveis para atender nosso consumo”, disse Neha Palmer, chefe de estratégia energética do Google. “Temos 15 centros de dados em operação e estamos construindo mais.”

A Cisco estima que a torrente de dados aumentará 75 por cento até 2021, quando mais coisas estiverem conectadas à internet. Itens como termostatos e chaleiras elétricas, que antes funcionavam de forma independente nas residências, estão cada vez mais sendo ligados à web, gerando dados que empresas como Google estão tendo que gerenciar.

O número de aparelhos conectados deverá crescer 12 por cento ao ano, subindo de 27 bilhões no ano passado para 138 bilhões em 2030, segundo projeções da IHS Markit. O grupo de pesquisa estima que os centros de dados de todo o mundo respondem por 2 por cento a 3 por cento da demanda por eletricidade dos países desenvolvidos. A Agência Internacional de Energia coloca o número em 1 por cento em todo o mundo, mas afirma que é difícil elaborar estimativas precisas.

O uso crescente de energia é um risco para a reputação do setor de tecnologia, já que o uso crescente de carvão para alimentar seus parques de servidores conflita com as ambições ecológicas de muitas empresas. A próxima onda de dados só aumentará o uso de energia dessas empresas e a fonte que alimentar essas máquinas terá impacto na poluição gerada pelos gases causadores do efeito estufa.

“Essa infraestrutura tem uma vida útil de 15 a 20 anos”, disse Gary Cook, analista sênior do setor de TI e ativista de energia do grupo ambientalista Greenpeace. “Se ela for alimentada por carvão e contribuir para a mudança climática, dificultará ainda mais a transição para as fontes renováveis.”

O setor de tecnologia se transformou no maior comprador corporativo de energias renováveis, fechando acordos por 10,4 gigawatts até o momento, segundo a Bloomberg NEF. Vários nomes conhecidos, como Apple, Microsoft, eBay e Etsy fixaram metas para serem 100 por cento alimentadas por energia limpa. O Google afirmou que bateu a meta no ano passado. O Facebook é o maior comprador corporativo de energias renováveis do mundo até esta altura do ano.

Fonte: Uol

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