Para entender o que é o Halving, primeiro deve-se contextualizar a criação do Bitcoin. Ele foi criado em 2009, por Satoshi Nakamoto, em uma quantidade finita, de 21 milhões (atualmente temos 18 milhões e 250 mil em circulação), mas essa quantidade não estava disponível imediatamente. Eles precisavam ser “descobertos”.

Isso se dá através de doação de poder computacional garantindo a segurança da rede e recebendo a recompensa em Bitcoin. Então, temos as pessoas que doam poder computacional para garantir a segurança da rede como um todo. Esse processo consiste em encontrar blocos e Bitcoins.

O modelo de recompensa em Bitcoins por poder computacional premia os primeiros usuários (early adopters) e vai diminuindo o prêmio com o tempo. Assim, o sistema calcula de acordo com o poder computacional disponível ajustando para que, em média, a cada 10 minutos “ache” um bloco com uma recompensa que inicialmente era de 50 Bitcoins. Pelo fato do Bitcoin ser finito, a cada 210 mil blocos a oferta dentro desses blocos caem pela metade.

O Halving foi pensado como uma forma de garantir esse prêmio aos early adopters, determinando o corte, pela metade, do valor de recompensa a cada 210 mil blocos emitidos, o que leva, em média, 4 anos.

O primeiro Halving ocorreu em novembro de 2012 e a oferta, que era de 50 Bitcoins a cada 10 minutos, caiu para 25. No segundo, em julho de 2016, foi para 12.5, valor atual. No Halving de 2020, em maio, o valor ficou 6.25 Bitcoins para cada bloco.

Com isso, temos uma inflação conhecida, atual de 3,67% caindo para 1,8% pós Halving. Em números absolutos de Bitcoins, eram “minerados” 1800 e, após 11 de maio de 2020, passaram a ser “minerados” cerca de 900 Bitcoins por dia.

Para explicar as principais questões relacionadas ao evento que acontece a cada 4 anos, consultamos João Canhada, CEO da Foxbit. Veja a seguir:

Quando acontecer o último Halving os Bitcoins vão acabar?

O Bitcoin não vai acabar, mas todos os Bitcoins existentes já terão sido descobertos e portanto já estarão em poder de alguém. Os mineradores ainda serão recompensados com Bitcoins por doar poder computacional, mas esses Bitcoins serão as taxas pagas para incluir as transações nos blocos minerados. A rede do Bitcoin é pública e aberta mas não é gratuita.

Como foi esse Halving?

O Halving sempre gera muita expectativa, pois se olharmos o histórico, um período de 12 a 15 meses após os primeiros Halvings, o Bitcoin teve uma alta com preços superando as máximas históricas.

O Bitcoin está em um momento de alta bem interessante, e nos últimos anos vem competindo até com os melhores papéis das bolsas de valores ao redor do mundo. Começamos o ano com o Bitcoin valendo R$29 mil e já estamos nos R$40 mil. A expectativa é positiva para o futuro do Bitcoin.

O Bitcoin deve bater o histórico de R$ 72 mil após o Halving?

Levando em conta os históricos dos Halvings, provavelmente, em 2021 esse valor seja alcançado e até ultrapassado. Os próximos dois anos serão empolgantes.

Com o Halving a mineração deixa de valer a pena?

O minerador deve calcular o custo, pois o quanto ele ganha é muito especulativo. A operação não demonstra ter um cenário deficitário, pois o número de mineradores está aumentando constantemente. Mesmo quando o Bitcoin estava em baixa, a quantidade de mineradores, ou poder de rede, só aumentava, então eles não devem ter prejuízo.

O Bitcoin corre o risco de ficar tão caro a ponto de ser impossível adquiri-lo?

De fato com o estoque limitado a 21 milhões de unidades e uma população de quase 8 bilhões de pessoas, fica claro que não há 1 Bitcoin para cada pessoa no mundo. Mesmo que a gente limite somente a milionários no mundo (pessoas com mais de 1 milhão de dólares de patrimônio) estamos falando de mais de 56 milhões pessoas, não tem 1 Bitcoin inteiro pra cada milionário no mundo, mas como o Bitcoin tem 8 casas decimais é possível comprar frações.

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