A área de suprimentos das empresas continua a ter posições estratégicas para os negócios. Isso está presente tanto na elaboração de soluções econômicas, como no gerenciamento de riscos e no crescimento das corporações Essa foi a conclusão da pesquisa da Deloitte CPO Survey 2018. Foram entrevistados mais de 500 executivos de compras (Chief Procurement Officers, CPOs) de 39 países. Somados eles representam uma receita anual consolidada em mais de US$ 5,5 trilhões.

Os resultados apontaram que o papel da área de suprimentos é fundamental para iniciativas como redução de custos. O estudo indica também que ainda existem desafios e oportunidades com relação à transformação digital. Além de um vasto campo a explorar no relacionamento colaborativo com fornecedores e com a gestão de talentos.

Transformação de custos em destaque

A principal estratégia de negócio dos CPOs ainda é a redução estratégica de custos (78%). Em seguida, vem o desenvolvimento de novos mercados e produtos (58%). Logo após, o gerenciamento de riscos (54%). Com relação às iniciativas de redução de custos, 61% afirmaram ter obtido resultados melhores do que no ano anterior.

Segundo Celso Kassab, sócio responsável pela prática de Supply Chain da Deloitte, esse bom desempenho se deve a três fatores principais. O primeiro é o aumento da participação e colaboração do executivo de compras com as diversas unidades de negócios da empresa.

Outro, é a visibilidade dos gastos totais. Conforme a área de suprimentos amplia sua atuação, ela também permite melhorias no poder de compra. Nesse aspecto, destacam-se as questões de compliance e consolidação de demandas e especificações. E, finalmente, há o alinhamento das prioridades entre os executivos de compras e de finanças (CFO) para uma geração de resultados de maneira integrada.

Há também uma nova visão por parte dos CPOs. Esses executivos passaram a ter um maior conhecimento dos negócios. Isso tem permitido impulsionar o crescimento e os resultados corporativos de forma sustentável”, afirma Kassab.

Para ele, não causa surpresa que os executivos de compras ampliem sua atuação nas empresas. Na sua opinião, isso se deve às principais economias estarem crescendo simultaneamente pela primeira vez em dez anos, apoiadas pelo mercado financeiro mais estável.

Tecnologia como chave para o desempenho

Nesse cenário, alguns desafios despontam para os CPOs. Uma das principais questões é aumentar a adoção de tecnologias disruptivas nos processos da área de suprimentos. Sem isso, elas correm o risco de ruptura, principalmente pela baixa visibilidade dos gastos da empresa. Segundo o estudo, os CPOs demonstram certa hesitação na implementação de tecnologias digitais, como Inteligência Artificial, Robótica e Blockchain. Apenas um terço dos participantes declarou utilizar tecnologias como analytics e redes colaborativas.

“Dos entrevistados, 87% acreditam que as tecnologias digitais afetarão seu setor, mas apenas 44% estão se preparando adequadamente para isso”, afirma Kassab.

Isso pode ser explicado, entre outros motivos, pelo fato de que a área ainda não é entendida como uma “alavanca” para gerar resultados. Muito menos como protagonista dentro da empresa. Outro fator é a própria maturidade dos CPOs, que ainda não visualizam seu potencial das inovações tecnológicas. A pesquisa da Deloitte alerta, porém, que a transformação digital é inevitável e organizações de alta performance já lideram esse processo.

Fornecedores como parceiros

A constatação de uma queda contínua no aproveitamento do relacionamento com o fornecedor como uma forma de entregar valor é também um desafio que convida à reflexão. Especialmente pelo crescente papel da área de suprimentos no desenvolvimento de novos produtos ou mercados. “Muitas organizações ainda não enxergam o fornecedor como um parceiro de negócios. Assim elas deixam de aproveitar o potencial que um relacionamento colaborativo pode trazer”, afirma Kassab.

As organizações também ficam expostas a possíveis problemas. Principalmente, porque dispõem de pouca visibilidade sobre a cadeia de valor de seus fornecedores. Cerca de  65% dos CPOs reportaram que têm baixa ou nenhuma visão para além dos fornecedores diretos (chamados 2º tiers).

No entanto, uma maior transparência sobre as competências, os preços e o potencial de gestão e governança dessa cadeia contribui para reduzir os riscos operacionais. Novamente, embora já existam soluções de tecnologia que possam auxiliar nessa questão, a principal restrição ainda reside na disposição das empresas em buscarem uma colaboração efetiva com seus principais fornecedores.

Essa cooperação, segundo Kassab, inicia-se com o compartilhamento de um plano de negócios de médio e longo prazos, celebrados pelo primeiro nível de comando das empresas (CEO).

Investimento em talento e liderança

A gestão de talentos é ponto crucial para a execução do planejamento estratégico dos CPOs. Mas, embora ela seja vista como prioridade, o estudo identificou que há pouco investimento nessa questão.

Mais de 50% dos CPOs, acreditam não ter a equipe certa para executar suas estratégias. Um índice em queda se comparado aos 60% da edição 2017 do estudo. Menos de 2% do orçamento operacional da área de suprimentos é alocado para programas de treinamento e desenvolvimento de equipes. “Como resultado, as áreas de compras ficam limitadas e continuam como coadjuvantes no ambiente corporativo”, alerta Kassab.

O estudo da Deloitte aponta que há uma relação direta entre os programas de capacitação e alinhamento das lideranças com a melhoria de performance.

O levantamento da Deloitte propõe ainda algumas iniciativas práticas para os CPOs. Entre elas, fortalecer parcerias de negócios e envolvimento em tomadas de decisão dentro da organização, trabalhar com fornecedores estratégicos para construir uma cadeia de suprimentos mais integrada, segura e transparent, investir em treinamento e desenvolvimento de habilidades e alocar recursos para a adoção de novas tecnologias.

Fonte: Deloitte

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