Segundo pesquisa global Indústria 4.0 da Price Waterhouse Coopers (PwC), uma das maiores empresas de consultoria do mundo, os líderes globais do setor industrial pretendem investir 5% da sua receita anual na digitização de funções essenciais das cadeias vertical e horizontal de suas empresas, o que corresponde a um total de US$ 907 bilhões até 2020.

A pesquisa revelou ainda que 72% das organizações esperam ter nível avançado de digitização em até cinco anos. Isso porque traz vários benefícios para as instituições e seus clientes. Mas, antes de qualquer coisa, é importante entender o que é a digitização e como ela deve mudar os processos dentro da empresa.

Muita gente confunde digitização com transformação digital, mas enquanto o último funciona como uma desmaterialização da empresa, como o Uber, por exemplo, a digitização transforma os processos da organização no mais digital e automatizado possível. Por exemplo, tira do papel todo o processo de vendas, desde o pedido, discussão com o cliente à entrega, e passa para o ambiente digital.

Dentro do contexto da Indústria 4.0, é o próximo estágio com relação à transformação que os recursos digitais provocarão nas organizações. O objetivo é transformar todos esses dados em informações disponíveis de forma inteligente para, assim, tomar as melhores decisões para os negócios.

Levando em conta esta realidade no cenário industrial, vemos que não é à toa que 69% das empresas que participaram da pesquisa da PwC pretendem desenvolver novos produtos ou serviços digitais. A partir da digitização, é possível tornar os processos mais rápidos, com menos erros e entregar um melhor serviço para o cliente, que passa a ter acesso a informações que antes era de posse apenas da organização.

O que acontece é que, hoje, o volume de dados e informações é tão alto que torna humanamente impossível absorver tudo e tomar decisões de maneira inteligente para os negócios, requerendo algoritmos que ajudem a gerar insights para os gestores. Aí entram as ferramentas de Business Analytics, que estão perfeitamente inseridas dentro desse contexto de análises.

Outro ponto importante é que para preparar-se para tudo isso, tornar-se mais flexível e absorver melhor o que vem por aí no que diz respeito a novas tecnologias, inclusive digitização, é mais do que mandatório uma infraestrutura adequada. Foi inclusive pensando nisso que, recentemente, migramos 70% dos sistemas da Termomecanica, que é uma indústria que atua na transformação de Cobre, para a nuvem.

E já começamos a experimentar os resultados positivos, pois esse modelo, ao abrir caminhos para a concepção de uma estrutura quase ilimitada, possibilita que o ambiente cresça conforme a demanda. Também passamos a contar com recursos exclusivos de redundância, o que permite não só acessá-los, mas também compartilhá-los no sistema de gestão (SAP) por mais tempo.

Além disso, outra vantagem muito importante é o fato de que quanto maior é a oferta de computação e armazenamento na nuvem, mais em conta fica a migração. No nosso caso, para ilustrar, tivemos uma economia de 35% com a infraestrutura para suportar os sistemas.

É uma tendência natural que as organizações precisam estar atentas, enquanto que empresas globais planejam investir US$ 907 bilhões, cerca de 5% das receitas, por ano na indústria 4.0, apenas uma em cada dez empresas nacionais investem mais que 8% de suas receitas. O foco é nas tecnologias digitais, como sensores ou dispositivos de conectividade, software e aplicações, treinamento de funcionários e na condução da mudança organizacional.

Mas, para ter uma transformação dentro da empresa que seja eficaz, é preciso, antes de tudo, mudar a cultura empresarial, começando por deixar de pensar apenas nos ativos físicos, principalmente com relação à indústria. Investir em coisas que não são ativos físicos é necessário para entrar neste cenário de forma mais adequada.

Treinar os funcionários, rever processos para tornar mais enxutos e automatizar sistemas são três atitudes necessárias para a empresa dar o passo inaugural no que diz respeito à digitização. Seguindo este mesmo pensamento, é essencial que todas as áreas da organização façam parte do processo para entender o cenário e as novas mudanças.

Uma preocupação que surge com a digitização é a segurança da informação. Com todas as informações importantes do meio digital, o cuidado deve ser dobrado, por isso, envolver todos no processo e treinar pessoas é essencial para evitar vazamento de dados.

O passo seguinte é pensar nas necessidades do cliente, o que você pode oferecer para ele aquilo que ainda não oferece ou que o concorrente disponibiliza. É a partir desse pensamento que você usa sua base de dados e informações para saber como satisfazer o cliente de forma mais automática. O movimento precisa acontecer de trás pra frente, ou seja, primeiro ouvir o que ele precisa e quer para poder resolver através dos processos internos, além de identificar eventuais erros e falhas.

Antes, a indústria focava na automação individual de máquinas e processos; com a indústria 4.0, o foco passou a ser na digitização end-to-end de todos os ativos físicos e na integração de ecossistemas digitais com parceiros da cadeia de valor. Passou a sustentar os ganhos prometidos através da geração, análise e comunicação de dados que englobam diversas novas tecnologias para criar valor.

93% das empresas ao redor do mundo acreditam que, em 5 anos, dados serão essenciais para tomada de decisões e a digitização é um dos caminhos para fazer melhor uso desses dados. A empresa passa a aproveitar novos processos, sistemas, ferramentas e meios de colaboração, mudando a forma como atua e tornando os processos mais inteligentes.

Walter Sanches é superintendente de TI da Termomecanica

Fonte:  www.segs.com.br

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